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“Análise de Informações” no edital do TCE-PE: no que consiste essa disciplina? É possível se preparar a tempo?

30/06/2017 - Alexandre Andrade

Muitos candidatos foram pegos de surpresa com uma novidade no edital do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE): a cobrança de uma disciplina denominada “Análise de Informações”. Ela aparece no conteúdo programático de todos os cargos da área de Auditoria de Contas Públicas (cargos 1, 2 e 3 do edital), justamente os que possuem os salários mais atraentes.

Vejamos o conteúdo apresentado pelo edital:

ANÁLISE DE INFORMAÇÕES: 1 Dado, informação, conhecimento e inteligência. Dados estruturados e não estruturados. Dados abertos. Coleta, tratamento, armazenamento, integração e recuperação de dados. 2 Banco de dados relacionais: conceitos básicos e características. Metadados. Tabelas, visões (views) e índices. Chaves e relacionamentos. 3 Noções de modelagem dimensional: conceito e aplicações. 4 Noções de mineração de dados: conceituação e características. Modelo de referência CRISP-DM. Técnicas para pré-processamento de dados. Técnicas e tarefas de mineração de dados. Classificação. Regras de associação. Análise de agrupamentos (clusterização). Detecção de anomalias. Modelagem preditiva. Aprendizado de máquina. Mineração de texto. 5 Noções de Big Data: conceito, premissas e aplicação. 6 Visualização e análise exploratória de dados.

De cara, podemos perceber que não se trata de uma disciplina convencional, e está mais para uma fusão entre temas de tecnologia da informação (banco de dados, modelagem, mineração de dados, aprendizagem de máquina, etc) e de estatística (clusterização, modelagem preditiva, análise exploratória de dados).

A presença dessa disciplina se deve, muito provavelmente, à crescente utilização de técnicas de análise de dados, cujo emprego vem sendo genericamente denominado pelo termo em inglês data science (ciência de dados). O objetivo é extrair conhecimento útil a partir das imensas bases de dados que temos disponíveis hoje em dia.

Trata-se das técnicas utilizadas há tempos por empresas como Amazon, Google, Facebook e Uber, que processam continuamente as informações decorrentes das interações de seus usuários para extrair conhecimento útil (por exemplo, recomendar um e-book adequado à sua preferência).

Hoje em dia, a ciência de dados não é mais um monopólio das gigantes da tecnologia, e várias outras empresas têm apostado suas fichas nessas novas técnicas. Bancos, companhias aéreas e redes varejistas são exemplos disso. E muitos órgãos públicos também têm investido bastante no assunto: CGU, TCU, Câmara dos Deputados, Receita Federal, dentre outros.

Especialmente no campo da auditoria, a ciência de dados pode contribuir muito para tornar o trabalho mais efetivo. Imagine que tenhamos centenas de processos licitatórios realizados nos últimos anos. Como o auditor deve selecionar os que devem ser examinados em detalhes? Uma abordagem tradicional seria utilizar uma amostragem. Mas a ciência de dados oferece opções que podem ser muito mais interessantes. Com todos os dados sobre as licitações registrados em um banco, um algoritmo pode ser treinado para detectar de forma automática as licitações que possuem maior probabilidade de apresentar problemas.

Desta forma, fica clara a justificativa para a presença desta matéria no edital: o TCE-PE e o Cebraspe estão olhando para o futuro, incluindo uma disciplina que será muito importante nos próximos anos.

Aqui mesmo, na LS, já percebemos há algum tempo a importância da ciência de dados. Criamos o projeto LS Data Science, que tem por objetivo detectar padrões de comportamento que levam ao sucesso, analisando nossa imensa base de dados. Se temos os dados sobre como cada aluno se comporta ao estudar, e também as informações sobre quais alunos são aprovados nos concursos, podemos usar algoritmos de aprendizagem de máquina para nos indicar quais comportamentos são vencedores. O projeto está a todo vapor, e os primeiros resultados devem ser divulgados em breve.

Resumindo: a ciência de dados é algo que chegou para ficar, e deve aparecer em novos editais, seja com o nome de “Análise de Informações” ou outro qualquer. Para quem já vinha se preparando, o momento é de continuar estudando firme, sem entrar em desespero com a surpresa. Apesar dos nomes complicados, a matéria não é um bicho de sete cabeças, e é plenamente possível cobrir o conteúdo apresentado até a prova.

Como se trata de uma novidade, não é possível saber muito bem o que esperar em relação ao nível de cobrança. Mas a tendência é que o Cebraspe foque em conceitos básicos, sem aprofundar demais o tema, pois é uma área muito nova. Ir no detalhe poderia representar o risco de muitos recursos, uma vez que pesquisa ainda é intensa nesse campo e muitos conceitos ainda estão em formação. Então, é partir para cima e estudar muito firme nesses 2 meses e meio!

Por fim, lembro que a LS oferece consultoria de estudos para concursos, e teremos um pós-edital específico para o TCE-PE, no qual a disciplina de Análise de Informações estará totalmente contemplada. Agende uma entrevista gratuita com um consultor, e descubra como podemos te ajudar a emplacar essa aprovação.

Um grande abraço e até breve!

Alexandre Andrade é consultor do LS Sistema de Ensino, Analista Legislativo da Câmara dos Deputados, Doutor em Engenharia, e Gerente do Projeto LS Data Science (https://www.youtube.com/watch?v=YbrxM7rM_6M)

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