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Cadeira para estudo – como e qual escolher?

04/06/2018 - Bruno Machado

Já que você escolheu estudar, é bem provável que vá passar um bom tempo sentado em uma cadeira durante os próximos meses. Embora muita gente ache bacana contar as dificuldades superadas e trazer aquela história de que na época dos estudos usava um bloco de pedra sem encosto, e mesmo assim estudava por doze horas diárias, a coisa não precisa ser assim.

Precisamos falar sobre cadeiras.

Fato é que a ergonomia e o conforto não podem ser vistas como itens de luxo, mas sim como requisitos básicos, já que fazem muita diferença na sua capacidade de suportar longas horas de leitura, além de preservar a sua condição física. Para evitar que as dores nas costas sejam companheiras diárias, é fundamental garantir uma boa postura corporal que preserve sua musculatura e articulações.

Depois de bastante procura, esse foi artigo mais completo que encontrei sobre a ergonomia em um escritório: Blitzresults – Escritório Ergonômico.  Como pode ver, há uma calculadora ergonômica para encontrar as alturas adequadas para a sua mesa e cadeira, conforme sua altura. Temos, também, vários infográficos que podem explicar com maiores detalhes as principais nuances para se alcançar uma estação de estudo realmente ergonômica. Daí, já podemos depreender algumas coisas:

1) Para alcançar a ergonomia adequada, é necessário que a sua mesa e cadeira estejam funcionando em conjunto. Pensando em um carro, fica fácil perceber que um banco muito alto e um volante muito baixo podem ser muito desconfortáveis.

2) As medidas irão variar de acordo com o biótipo de cada pessoa, trazendo um pouco de relatividade à resposta para a pergunta “qual mesa/cadeira é a melhor?”.

3) É bem possível que você precise fazer alguns ajustes em sua estação de estudos, ainda que sua cadeira, sua mesa e seu suporte de leitura sejam os melhores existentes.

Resolvi vasculhar os diversos fóruns e sites de avaliação de produtos para encontrar as melhores opções em ergonomia, e obtive algumas conclusões interessantes:

i) As cadeiras do tipo “Presidente” são bem imponentes, mas nem sempre as mais ergonômicas – na maioria das vezes, não são. Geralmente são extremamente acolchoadas, e projetadas para o tipo de pessoa que não ficará por longos períodos em posição de leitura ou digitação. Muitas vezes, possuem leve inclinação para trás, transparecendo maior relaxamento e autoridade durante aquela reunião com os subordinados;

ii) O ajuste na altura dos braços é mais que fundamental, seja pelo fato de que há uma altura correta a ser estabelecida entre o assento e o braço, ou também pelo fato de a própria mesa servirá de suporte aos seus braços – e, por isso, os braços da cadeira devem se recolher para que possa adentrar abaixo da mesa;

iii) O adequado apoio lombar parece ser o mais importante: grande parte das pessoas que interagiram nos fóruns descreveram sintomas muito semelhantes de dor na região lombar. Não é à toa que a NR 17 já estabelece vários requisitos de ergonomia para a certificação de cadeiras, e o ajuste lombar é um desses itens necessários.

iv) As cadeiras do tipo “gamer”, que supostamente são projetadas para pessoas que passam horas seguidas diante do computador, geralmente trazem um design oriundo dos bancos de carros de corrida, com formato de concha. Por mais que isso seja muito conveniente em curvas em alta velocidade, não é muito útil quando você só precisa ler por várias horas seguidas na estabilidade do seu escritório. O preço elevado costuma ser incompatível com a falta de adequação ergonômica, e talvez esteja mais relacionado à aparência;

v) As cadeiras de supermercado são as grandes vilãs da nossa história – sei que muitos não têm escolha, e precisam recorrer ao que cabe no bolso. Geralmente, são produtos bonitos, mas construídos com plásticos, metais e espumas que sofrem deformação em pouco tempo, e seus ajustes são precários. Além disso, pelo fato de serem bem mais baratas, acabam construindo aquela ideia de que uma cadeira acima de R$400,00 é um absurdo – o que não é verdade! O papo sério começa, por baixo, a partir dos R$550,00;

vi) Se você é muito baixo e tem dificuldades para encontrar uma mesa e cadeira adequadas às suas medidas, o apoio para os pés pode ser exatamente aquilo que faltava para aumentar o seu conforto. Antes de trocar de cadeira e mandar cortar os pés da sua mesa, faça o teste.

Tá, mas quais cadeiras são boas, então?

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que nosso objetivo não é indicar uma marca específica, e muito menos ser um informe publicitário. De toda forma, duas marcas nacionais tiveram retorno muito positivo: Flexform e Cavaletti. A seguir, listamos alguns dos modelos mais bem avaliados e recomendados, como sugestão:

Básicas – de 500 a 999 reais

– Cavaletti Start 4103: básica, mas com praticamente todos os ajustes necessários à boa ergonomia, recomendada para pessoas de menor estatura. Provavelmente a melhor escolha de baixo custo. Preço aproximado: R$560,00.

– Flexform Uni Me: básica, com bons ajustes de ergonomia. Não cheguei a vê-la pessoalmente, mas pude encontrar alguns feedbacks positivos. Preço aproximado: R$760,00.

Intermediárias – de 1000 a 1499 reais

– Cavaletti Air 27001: intermediária, que prioriza o ajuste lombar (mais pronunciado), recomendada para pessoas de qualquer estatura. Muito bem avaliada por todos que a testaram (minha preferida). Preço aproximado: R$1.000,00.

– Cavaletti Newnet 16001: intermediária, com assento um pouco maior, e que também prioriza o ajuste lombar (neste caso, é acolchoado). Admite encosto de cabeça (embora pessoalmente ache inútil). Preço aproximado: R$1.100,00.

Alto padrão – de 1500 a 1999 reais

– Flexform Work: cadeira de transição, com vários ajustes possíveis. Acredito que parte do preço tenha razão em sua superioridade estética – os retornos positivos ressaltaram esse ponto. Preço aproximado: R$1.500,00.

– Flexform Led: cadeira de alto padrão, com os mais variados ajustes. Tal como a anterior, possui design bacana, e aparenta ter uma construção bem rigorosa (um pouco menos robusta que as da outra marca). Preço aproximado: R$1.700,00.

– Cavaletti C3 28001: Cadeira de alto padrão, com os mais variados ajustes. Trabalha com esquema de molas que “detectam” o peso do sujeito para determinar a tensão do encosto – interessante. Produto importado, sujeito a maiores variações de preço. Preço aproximado: R$1.800,00.

Altíssimo padrão – de 2000 em diante

Daí já entramos na ErgoHuman (V2 Plus Elite) e Herman Miller (Sayl ou Aeron), coisa pra quem já tem uma bastante grana para investir em conforto. Tive a chance de experimentá-las, e realmente são coisa de outro mundo – principalmente a última. Entretanto, pelo fato de serem importadas, o câmbio atual faz com que ultrapassem os quatro mil reais. Alguns colegas são proprietários desses modelos, e não trocariam por nada. Para mim, ao menos valeu a experiência…

Fiz o teste de todos esses modelos da Cavaletti e, na minha opinião, possuem ótima relação de custo-benefício – em que pese o design mais discreto. Recentemente adquiri, em conjunto com colegas de trabalho do fisco, algumas dessas cadeiras da marca para uso no trabalho e doméstico. Estamos satisfeitos.

Recomendo que testem, pesquisem e sejam exigentes na hora da escolha. Procurem um produto que tenha boa cobertura de garantia, também. Será um dinheiro bem investido, ainda mais se tornar a sua jornada de estudos menos sofrida e mais eficiente. Quem sabe não continue sendo a sua cadeira de trabalho, depois de sua aprovação.


A propósito, encosto não é enfeite. Não faça como a mulher da imagem do artigo. Depois de ler esse texto, você já deve ter percebido que ele é um péssimo exemplo (embora realmente não dê pra levar sua cadeira para as bibliotecas).

Alguns dos fóruns pesquisados:

Fórum Adrenaline

Fórum Outerspace

HTFórum

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