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Chuva de Editais

15/08/2019 - Bruno Machado

Já faz um tempo que os editais da Área Fiscal estão surgindo em sequência. Enquanto o orçamento federal se enforca, estados e municípios recorrem a uma das saídas óbvias para reforçar o caixa e melhorar o desempenho fiscal: novos concursos para a administração tributária.

Atualmente, boa parte dos alunos vêm de uma intensa sequência de pós-editais – tendo sido breves os momentos em que se dedicaram aos estudos de viés pré-edital. E isso traduz um fator de extrema relevância: boa parte dos editais não se favorecem mutuamente, sendo mais frequente que sejam, de certa maneira, prejudiciais mutuamente. Isso porque cada pós-edital contém uma estrutura distinta, com deslocamento de pesos e mínimos distintos (o que traz por consequência uma estratégia de estudo distinta), provocando deslocamentos de equilíbrio para a adequação àquela estrutura extremada.

Talvez isso fique evidente quando comparamos os editais de SC e do RS – a rigor, para o primeiro seria perfeitamente possível negligenciar o trio dos direitos, e TI tinha um enfoque bem prático, além de ser FCC; já o segundo exigia uma razoável proficiência e domínio do trio dos direitos, e uma TI bem mais conceitual, além de ser Cespe. E seguindo nessa mesma análise, é digno de nota que alguns editais deixam de prever conteúdos que são imediatamente exigidos no edital seguinte (às vezes, inclusive, com elevada carga de pontuação). Portanto, é necessário ter em consideração esse aspecto situacional – muito mais relevante na maioria dos casos do que qualquer aspecto relacionado a capacidades ou competências pessoais.

Outro exemplo é justamente o recém publicado edital para o ISS Campinas. Demasiadamente enxuto, tradicional, e focando apenas no feijão-com-arroz. Oferta de vagas bem restrita, e banca com perfil bastante simplista! Indícios de que o desempate entre os dez primeiros será pelo critério de idade. E então, acha que vale a pena focar dois meses apenas nesses conteúdos ou está visando algo mais adiante?

Noutra frente, é também necessário observar que os estudos pós-editais são feitos sempre às pressas, sempre visando a relação de custo-benefício daquela situação específica, e frequentemente exigindo cortes e priorizações. E isso significa atribuir aos seus estudos uma característica bem distinta, completamente situacional.

É claro que a experiência de pós-edital pode ser muito engrandecedora, inclusive sob o aspecto de estimulá-lo a impor um ritmo de estudo jamais praticado antes.  No entanto, ter apenas isso em consideração seria impor uma visão muito simplista de como é o processo de construção de uma aprovação.  Depender de um edital para conseguir alcançar um estudo de altíssima performance é um mimo inconveniente nesse nosso universo. Falo um pouco mais sobre isso nesse outro artigo.

Por essa razão, a decisão de enfrentar uma sequência de pós-editais precisa ser bem pensada, e freada a partir do momento em que estivemos nos deparando com uma decomposição do seu domínio teórico – e essa é uma análise muito mais cirúrgica do que simplesmente atribuir a razão do decréscimo ao cansaço (que também tem sua óbvia relevância, mas nem sempre corresponde à razão central). Muito frequentemente, também, o aluno se coloca em uma situação de desgaste emocional elevado, o que sabidamente prejudica a sua assertividade e confiança, o que se traduz em um decréscimo em sua capacidade de análise e julgamento.

Essa análise é fundamental para que você não se torne um Tarzan dos concursos: o especialista em pular de galho em galho.