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Como estudar TI para a área fiscal

28-03-2019 - Alexandre Andrade

A matéria de Tecnologia da Informação vem se consolidando como a grande pedra no sapato dos candidatos da área fiscal. A disciplina vem aparecendo com grande destaque nos editais de fiscos, e tem tirado o sono de estudantes experientes, muito bem preparados nas demais matérias. Mas será que TI é realmente esse bicho de sete cabeças?  

O objetivo deste artigo é desmistificar um pouco essa questão, e ajudar os estudantes a encurtar a curva de aprendizado da disciplina. Realmente a matéria não é fácil, e na forma como vem sendo cobrada exige alguma decoreba e estudo prévio ao edital. Mas é possível, seguindo algumas diretrizes simples, reduzir o nível de dificuldade do estudo, e obter na prova uma nota capaz de garantir a sua aprovação. 

Inicialmente, vamos entender um pouco a raiz do problema. Posteriormente, vamos discutir estratégias capazes a contornar essa dificuldade que a matéria tem representado. Vamos lá?  

  1. ENTENDENDO MELHOR O PROBLEMA

– Por que TI se tornou essa disciplina tão temida?  

O que ocorre hoje na área fiscal é que temos uma boa quantidade de candidatos bastante experientes, que já finalizaram a maioria das matérias. E, ao mesmo tempo, a maioria desses candidatos se acostumou a olhar TI como olhávamos antigamente para Informática: uma disciplina secundária, que poderia ser abordada até mesmo em pós-edital, se necessário.  

A maior parte dos candidatos não aceita, ainda que em nível inconsciente, dedicar a TI um tempo relevante em pré-edital, quando estamos focados em construir a base. Essa resistência passou a ser um sério descompasso com a realidade (basta ver a extensão e o peso com que TI vem sendo cobrada nas provas) 

Por exemplo, no último edital da Sefaz SC, um dos fiscos mais concorridos do ps, o peso da matéria de TI foi equivalente ao dobro do peso de Direito Constitucional e Direito Administrativo somados. Se a gente olha para esse dado, e compara com as horas de estudo pré-edital, de formação de base, de um candidato médio, fica nítido que há algo errado.  

Você conhece algum candidato que tenha estudado em pré-edital mais TI do que Direito Constitucional e Administrativo? E algum que tenha estudado para TI o dobro de horas que ele estudou a soma Constitucional + Administrativo? Se alguém dissesse a você hoje que vai começar a se preparar do zero para a área fiscal, e está colocando em seu ciclo de estudos uma quantidade de horas para TI maior do que a dedicada a DCO e DAD, o que você diria?  Ninguém está defendendo que se deve fazer exatamente isso, uma preparação equilibrada depende de diversos fatores que precisamos estudar caso a caso.  Mas esses são paradigmas que precisamos quebrar, vale a pena a reflexão…  

– A matéria é mesmo complexa demais, só acessível a quem tem formação em exatas?  

No imaginário da maioria dos iniciantes, a matéria de TI envolve aspectos excessivamente técnicos, cujo estudo não seria factível para aqueles que não possuem formação na área. Trata-se de um exagero.  

A maior parte dos temas de TI que vêm sendo cobrados são plenamente acessíveis a candidatos de quaisquer áreas, bastando para isso um estudo prévio e estruturado, exatamente da mesma forma que fazemos com as demais disciplinas. Há inclusive uma boa parte da matéria, relativa à Gestão de TI (Cobit, ITIL, PMBOK, CMMI, etc), que é algo muito mais ligado ao campo da gestão do que da tecnologia propriamente dita.  

Desta forma, a maior parte desse argumento relativo à alta complexidade tecnológica para se aprender TI, na forma como vem sendo cobrada nas provas, está mais para folclore do que para realidade. A matéria não chega a ser substancialmente mais complexa do que outras que temos na área fiscal, como Contabilidade e alguns dos Direitos.  

– É realmente necessário investir tempo nisso, ou é um modismo das bancas, que logo passará?  

Esse é outro ponto chave: precisamos compreender que TI chegou para ficar. O trabalho de auditoria fiscal (de auditoria, em geral) está cada vez mais ligado à análise de complexas bases de dados. Está ficando para trás aquele tempo em que o auditor selecionava uma amostra de processos físicos, em papel, para verificar um a um. Atualmente, as informações estão em bancos de dados, e a auditoria tende a ser cada vez mais um censo, ou seja, uma verificação que leva em consideração todo o universo, e não apenas uma amostra. 

Assim, é necessário que o auditor saiba dialogar com os profissionais de TI, especialistas em bancos de dados e em análise de informações, para que os resultados de suas auditorias possam ser mais efetivos. Além disso, espera-se que ele conheça os principais conceitos de gestão de TI (como ITIL, Cobit, PMBOK, etc), que são fundamentais para que as iniciativas, serviços e projetos que envolvem TI sejam bem gerenciados e atendam aos objetivos. 

Pode-se, portanto, concluir que este é um processo sem volta: TI vai continuar a ganhar importância, não apenas na área fiscal, mas em outra que também está muito ligada à auditoria, que é a área de controle (Controladorias e Tribunais de Contas).  

  1. ESTRATÉGIAS PARA APRENDER A DISCIPLINA

Tendo compreendido bem o que tornou a disciplina de Tecnologia da Informação um grande calo para os candidatos de área fiscal e desmistificado alguns pontos, vamos agora listar algumas estratégias capazes de encurtar a sua curva de aprendizado na matéria.   

a) Supere a resistência inconsciente

Como vimos anteriormente, boa parte do temor que a matéria desperta nos candidatos tem a ver com uma questão cultural, ligada a algumas crenças de nosso inconsciente coletivo. A principal delas é que tudo o que envolve tecnologia ou ciências exatas é algo difícil. Quando uma crença é profunda, arraigada, nosso inconsciente faz de tudo para confirmá-la. Se você já começa o estudo com medo da matéria, por achá-la impossível, seu cérebro fará de tudo para ser coerente e confirmar a sua crença. 

Portanto, pergunte-se: o que você ganha repetindo para si mesmo que a matéria é impossível de ser aprendida? Outra pergunta: imagine que você continue acreditando piamente nisso por mais 6 meses, 1 ou 2 anos. O que você poderá ter ganho e o que poderá ter perdido? 

Agora imagine que você troque essa crença, a de que TI é impossível de ser aprendida, por algo como “TI é uma matéria difícil, mas tenho plena capacidade de aprendê-la, como fiz com tantas outras”.  Essa é uma forma simples de transformar uma crença, e que certamente vai te ajudar. 

b) Estude em pré-edital 

Há uma outra crença bastante presente no inconsciente de muitos candidatos experientes de área fiscal: a de que TI é como Informática, uma matéria meio boba, decoreba, e que poderia ser estudada só após o edital. Esse é um grande erro, que você não pode cometer. 

Caso você seja um estudante experiente nas demais matérias da área, e esteja se preparando basicamente nos muitos pós-editais que têm surgido, converse com seu consultor LS para incluir no seu plano um roteiro de construção de base em TI. Muitas vezes, isso pode até ter como consequência não fechar a matéria para esse concurso específico que você está focado no momento, mas aumenta muito as chances que em um próximo concurso você já esteja realmente pronto.  

Há muitos candidatos que têm insistido em focar na prova atual, o que geralmente representa um estudo corrido, focado em questões. Sim, essa é a forma de aumentar suas chances neste concurso específico, mas dificilmente o colocará em situação diferente no próximo concurso. Assim, passa um edital após o outro e a pessoa continua sempre uma iniciante em TI, sem base na matéria. Pode ser uma boa estratégia dar um passo atrás nesse momento, para que dentro de poucos meses você já esteja em outro patamar nessa disciplina. 

 c) Construa seu conhecimento em camadas

A matéria de TI exige uma aprendizagem em etapas, sem mergulhos profundos no primeiro contato. É muito comum que a pessoa queira já de cara entender tudo no detalhe, buscando assimilar bem todos os casos e memorizar cada termo. Infelizmente isso não é produtivo. 

Nessa disciplina é preciso aprender camada por camada. No primeiro contato, busque apenas conhecer os aspectos mais gerais: para que aquilo serve, qual problema isso resolve, quais são as grandes partes desse todo, em que contexto se aplica isso, etc. É preciso que nesta primeira incursão teórica você faça uma leitura fluida, sem bloquear em detalhes complexos.  

 dImagine situações práticas

Tente se colocar no papel de um usuário daquela informação que você está tentando aprender. Não de alguém que vai fazer uma prova, mas que vai usar aquilo para resolver um problema real, no trabalho.  

Se está estudando PMBOK, por exemplo, imagine que você é um gerente de projeto, alguém que foi incumbido de entregar algo novo e único dentro de certo prazo. Pensando assim, fica mais fácil entender que precisa haver fases específicas para iniciação, planejamento, execução, encerramento. Um processo de monitoramento e controle das entregas, um cronograma ordenando as etapas a serem feitas, uma EAP que quebre o trabalho a ser realizado em tarefas bem definidas. 

O ponto é: fica mais fácil internalizar conhecimento quando o usamos na prática (mesmo que de forma imaginária), ao invés de apenas tentar decorar para a prova. 

e) Compare e foque nas diferenças

As bancas adoram explorar as semelhanças e diferenças entre os conceitos, especialmente na área de bancos de dados e de gestão de TI. Ao ver a lista de processos do Cobit e do ITIL, por exemplo, é possível encontrar sempre alguma sobreposição, ideias semelhantes, que possuem diferenças sutis em uma e outra abordagem.  

Tente incluir no seu estudo um olhar crítico, capaz de estar sempre buscando amplificar essas pequenas diferenças conceituais. Uma dica sempre válida é a de tentar pensar como o examinador: se você fosse um professor e precisasse elaborar uma questão difícil sobre o tema que está estudando, como você faria? Ao pensar assim, normalmente já tendemos a explorar as coisas que são parecidas, mas não exatamente iguais, e por isso poderiam confundir a pessoa que estará tentando resolver a questão.  Achou um ponto como esse? Leve para o seu resumo.

 f) Resolva muitas questões

Esta é uma dica óbvia: se queremos realmente nos tornar competitivos nessa disciplina, é preciso resolver muitas e muitas questões, se possível desde bem antes do edital. O conteúdo de TI é muito extenso, e é praticamente impossível encontrar um conteúdo teórico completo, que aborde com boa profundidade a totalidade dos pontos que costumam ser cobrados. Então é essencial uma carga elevada de questões, até mesmo como um complemento da teoria, aprendendo um pouco nos comentários. 

Outro ponto que muitas vezes passa batido é a necessidade de resolver as mesmas questões mais de uma vez. Há pessoas que colocam uma meta, de resolver, por exemplo, 2000 questões. Ótimo, mas é bem possível que a pessoa conseguisse chegar ao final assimilando muito mais se resolvesse uma lista de 500 questões quatro vezes. Tente equilibrar a variedade (boa quantidade de questões) com a repetição (fazer a mesma lista mais de uma vez), pois isso pode potencializar muito a fixação. 

 gUse materiais confiáveis

TI é uma matéria que possui muito conteúdo online disponível, e é relativamente simples elaborar rapidamente um material sobre qualquer tema. Somando isso com o desespero que se estabeleceu recentemente nos candidatos, temos visto o lançamento de muitos cursos novos de TI, de professores com pouca ou nenhuma experiência. Muitos alunos têm embarcado nesses cursos pouco confiáveis, que mais confundem do que explicam. Ou que simplificam demais a matéria, levando o aluno a achar que a didática é boa, mas deixando de abordar os temas na profundidade adequada. 

Quando as coisas não estão indo bem numa disciplina, o nosso primeiro reflexo é muitas vezes culpar o material. E isso pode fazer com que nos tornemos presas fáceis para aventureiros. Não caia nessa, busque sempre materiais de referência, confiáveis. Na LS, fazemos um trabalho contínuo de prospecção e seleção dos melhores materiais para cada etapa do estudo de TI, e nossos alunos sempre recebem a melhor indicação possível. 

 Bom, agora já temos uma caixinha de ferramentas para trabalhar melhor com esta disciplina. Recomendo que você anote essa lista de estratégias, e de vez em quando dê uma lida, especialmente quando for iniciar as jornadas de estudo de Tecnologia da Informação.  

Fico à disposição para dúvidas e comentários: alexandreandrade.concursos@lsensino.com.br 

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