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CONCURSOS PÚBLICOS: A IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA NO DIA DA PROVA

22/04/2018 - Aluisio A. Arruda

Poucos se dão conta que, além do estudo em si, a logística também é muito importante em qualquer concurso público. Principalmente, se a prova será realizada em outra cidade. Devemos levar em conta diversos fatores, tais como viagem, hospedagem, onde almoçar (quando a prova for realizada em dois turnos, manhã e tarde), etc.

Desses fatores, considero a hospedagem um dos mais importantes. Como estamos habituados ao nosso local de descanso (quarto, colchão, ar-condicionado, ventilador, etc.), é importante escolher um hotel que forneça condições semelhantes.

Isso porque uma boa noite de sono é essencial. Nosso sono já é bastante prejudicado em razão da ansiedade, normal, em véspera de prova. Assim, devemos trabalhar para que ele não piore ainda mais, em função das condições locais da nossa hospedagem. Sempre que possível, devemos evitar lugares barulhentos, de frente para a rua, ou próximo a bares e casas de show.

Além disso, o mais importante em relação à hospedagem é que ela seja próxima ao local da prova. Imprevistos acontecem. Como se deu na minha primeira experiência em concursos da área fiscal.

Em 2005, prestei o concurso de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na cidade de Curitiba. Como sou do Rio, achei que deveria programar bem essa logística de transporte e hospedagem.

Viajei de avião, dois antes da prova, acompanhado da minha esposa (como já estava acostumado com a vida a dois, achei que não conseguiria dormir bem se estivesse sozinho). Chegando lá, aluguei um carro, fiz o reconhecimento do local e escolhi um hotel próximo de onde faria a prova. Um percurso que levava apenas 12 minutos de carro, sem trânsito.

Entretanto, no dia da prova, o trânsito estava caótico. Uma verdadeira “terra de ninguém”, sem um único controlador de tráfego.

Perece que todos os milhares de candidatos foram concentrados na mesma universidade, sem que houvesse qualquer planejamento, no que se refere ao sistema viário.

O tempo ia se esgotando e praticamente não saíamos do lugar. A solução encontrada naquele momento de desespero foi a de parar um motociclista e pedir carona. Praticamente obriguei-o a me levar até meu destino. Mas ofereci 50 reais pela carona (Em 2005, era um bom dinheiro!).

Essa solução só foi possível porque minha esposa estava comigo. Assim, ela assumiu a direção do carro, enquanto eu segui caminho de moto, chegando a tempo de fazer a prova.

Surpreendentemente, minha esposa também conseguiu chegar a tempo, adentrando no estacionamento da universidade apenas 3 minutos antes do horário previsto para o fechamento dos portões.

Como ela estava ali apenas para me acompanhar, pôde presenciar as cenas lamentáveis naqueles momentos finais antes do começo da prova, com pessoas correndo desesperadas, caindo no chão, chorando ao verem os portões se fecharem. Muita gente, mas muita gente mesmo, ficou de fora. Um verdadeiro absurdo, mas um retrato do que pode acontecer na (des)organização de concursos públicos.

Bem, na prova em si, eu fui muito mal. Mas isso já é outra história. O mais marcante dessa experiência foi que ela reforçou a importância da logística no dia da prova. Uma falha na logística pode acabar com o nosso sonho.

Como “gato escaldado”, a preparação para o concurso seguinte foi bem melhor. Mas falarei sobre ela em outra oportunidade. Até lá.