Central de Notícias

ARTIGOS

Desmotivação: nada além de uma enganação

28/07/2017 - Bruno Machado

É bem provável que cada um de vocês tenha conhecido, em algum momento de suas vidas, aquela memorável pessoa que “tinha mil motivos para estar reclamando, e ainda assim transpirava positividade”. Essa é a definição geral que daríamos àquela pessoa, a quem olhávamos com um misto de espanto, estranhamento e admiração. Questionamos, em silêncio, como é que conseguiam ser daquele jeito. Penso que já seja hora de entendê-las.

O estranhamento ocorre quando, ao analisar a situação geral da vida daquela pessoa, fazemos conexão direta com os contratempos e dificuldades pelas quais aquela pessoa estaria passando. De imediato, pensamos que tais infortúnios deveriam se manifestar nas atitudes daquela pessoa, como verdadeiros direcionadores de pensamento. No entanto, ficamos surpresos em perceber o contrário.

Isso ocorre porque elas, ao contrário de quem as julga com espanto, não se conectam aos fatores negativos – abundantes na vida de todos -, mas sim a tudo aquilo que seja positivo. O estranhamento se dá, em verdade, com a capacidade que essa pessoa possui de se manter conectada com seus motivos, com suas razões de vida. O espanto se dá quando notamos a admirável capacidade que aquela pessoa tem de não se associar à negatividade, impedindo que se manifestem também em suas ações. Ficamos surpresos com esse gesto de interrupção da alimentação do negativo e de concomitante propagação da positividade.

Está se perguntando: mas o que é que isso tem a ver com a motivação? Tudo. Quando falamos em motivação, estamos nos referindo à constante conexão com nossos motivos. Por sua vez, a desmotivação é nada mais que a eventual desconexão e distanciamento dos nossos motivos.

O maior problema está aqui: sempre estaremos fazendo associações e conexões com alguma coisa. Assim, quando estamos desmotivados – desconectados de nossos motivos -, caminhamos automaticamente para a conexão com outros fatores, que geralmente são verdadeiros opositores e contestadores de nossos motivos primordiais. Dessa forma, além de desmotivados, caminhamos para a conexão com a negatividade, associando-nos às dificuldades, contratempos e infortúnios da vida, distanciando-nos ainda mais de nossos motivos e objetivos. Substituímos o que nos levaria adiante, por aquilo que nos prejudica. Falando assim, soa como estupidez, não é? E realmente é.

Então, preciso contar-lhe uma coisa: todo mundo passa por dificuldades e problemas durante toda a vida. Essas adversidades ocorrem a todo tempo, e não vão lhe dar passe livre somente porque você decidiu começar a estudar. Elas vão acontecer e, quando vierem, não se comporte como vítima. Comporte-se como sujeito ativo e responsável, enfrentando e superando-as. Não há muita coisa de especial em tudo isso. Pode parecer um pouco áspero, mas é algo muito importante de ser reconhecido, e ninguém mais o fará por você.

Escutei muitos dizerem que iriam interromper os estudos em razão de problemas pessoais. De fato, é certo que cada um possui uma forma específica de lidar com as desventuras. Também, cada um sabe bem o que é que está acontecendo em sua vida. No entanto, é preciso que se tenha a real capacidade de analisar a situação, fazendo-se os seguintes questionamentos:

1) Esta dificuldade realmente impossibilita que você busque a realização do seu sonho?
2) Quais são os obstáculos que te impedem de executar esta meta?
3) E se você descobrisse que existe outro modo de perceber essa situação, você adotaria uma nova postura?

Vocês ficarão surpresos, mas, na maior parte das vezes, é nesse momento que percebem que, na verdade, estão se conectando muito mais aos contratempos do que com seus reais motivos. Estão se associando aos fatores negativos, sempre presentes no cotidiano, e distanciando-se dos fatores positivos – justamente os únicos capazes de levá-los adiante. Nesse momento, é preciso tomar as rédeas e se conectar com o que lhes seja útil.

Preciso que entendam que não estamos menosprezando as dificuldades pelas quais cada um passa. Estamos dizendo que, por maior que sejam, é preciso que seus motivos sejam mais fortes. É preciso, na verdade, que vocês deem o devido valor aos seus sonhos – que, certamente, é maior do que todos os contratempos que aparecerão no caminho. É necessário escolher o que é que será o centro das atenções, o destinatário de todas as suas forças. O que for escolhido irá se materializar, apoderar-se de toda sua estrutura de pensamento, e coordenar cada ação e gesto a ser praticado – sejam as dificuldades ou a conquista de seu objetivo. Por isso, escolha com cautela qual desses irá acompanhá-lo. Essa decisão irá gerar consequências que irão ecoar por toda sua vida.

Voltemos àquela pessoa do exemplo do início de nosso texto. Agora vocês conseguem entender que tudo aquilo é resultado de uma simples escolha. Houve um acordo consigo mesmo de não se amedrontar, e de manter-se conectado com tudo aquilo de positivo, com todos os motivos. Ocorreu, de fato, a decisão de se manter motivado e de prosseguir. O suposto delírio revela-se como verdadeira lucidez.

Creio que, agora, vocês não a vejam mais com espanto ou estranhamento, não é? Agora vocês compreendem e sabem o que deve ser feito. Pode parecer simples jogo de palavras, mas a chave para evitar a desmotivação é manter-se, diariamente, conectado com seus motivos. Coloque-os como o centro das atenções. Questione seu falso sentimento de desmotivação! Dê foco naquilo que lhe seja útil, e trabalhe duro para que isto possa se tornar realidade.

“As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas”
Provérbio japonês

Abraços

Clique a seguir e siga-me no Instagram: