Central de Notícias

ARTIGOS

Fazer pós-graduação ou mestrado me ajuda a passar em concurso público?

19/08/2017 - Eduardo Frambach

Olá, futuros colegas servidores.

Hoje tentarei explicar melhor a resposta que dou a muitos concurseiros (meus alunos na consultoria ou não), quando me perguntam se seria bom fazer uma pós-graduação ou mestrado para ajudar a passar no concurso almejado.

Minha resposta é a seguinte: Para passar em um bom concurso público, o candidato só precisa de 2 coisas basicamente: um diploma (em qualquer nível superior) e muita força de vontade. O restante é só “perfumaria”.

Na verdade, o concurseiro faz essa pergunta por conta de 2 aspectos principais, os quais devemos analisar:

1º) O candidato poderá ter aquela matéria estudada na pós-graduação ou mestrado como um diferencial na sua prova. Ou seja, aumentaria as chances de gabaritá-la, uma vez que teria estudado mais a fundo em sua especialização.

2º) Ganharia pontos numa eventual prova de títulos.

Em relação ao 1º aspecto, alguns alunos que estudam pra área fiscal me perguntam se seria interessante fazer uma pós em tributário ou contabilidade para passar na área fiscal. Posso falar com propriedade, pois sou pós-graduado em Tributário, que uma pós só o ajudará (em regra, muito pouco) na fase de títulos, como veremos no 2º item.

Essas especializações possuem outro enfoque. Elas simplesmente não o ajudam a marcar o “X” no lugar certo, que é o que precisamos para passar no concurso. Na verdade elas podem até prejudicar.

Em tributário, por exemplo, o estudo na pós é muito mais voltado aos pensamentos doutrinários (corrente majoritária, minoritária…) e posição mais atual da jurisprudência. Te indagam o que você faria no caso concreto se fosse Procurador, Advogado ou Juiz, o que nunca cairia em uma prova objetiva da área fiscal.

Nas provas, o importante mesmo é a letra da lei e bem pouca coisa de jurisprudência (súmulas vinculantes, basicamente). Se você faz uma pós, começará a “viajar” imaginando se o examinador quer a posição majoritária da doutrina, a posição mais atual da jurisprudência. E na verdade, ele não quer nada disso, mas sim algo bem mais simples: o que diz a lei, em regra.

Em relação ao 2º aspecto, fiz uma pesquisa sobre a cobrança (ou não) de prova de títulos nos principais concursos das seguintes áreas: Fiscal, Controle, Policial, Tribunais Judiciários e Legislativa. Observe que tal análise não serve para área Jurídica (Procurador, Promotor, Defensor e Magistratura) e Acadêmica (professor de faculdade, etc)

Nos concursos que previam esse tipo de prova (a minoria, como veremos), fiz uma comparação de quantas questões precisaríamos das principais matérias da respectiva área para igualar os pontos proporcionados pelo título em questão (Pós-graduação, Mestrado e Doutorado). Coloquei Doutorado também só para não perder a viagem, pois raramente alguém pensa em fazer doutorado ao mesmo tempo que estuda para esses concursos públicos.

tabela01

tabela02

tabela03

Notamos que dos 15 concursos da área fiscal analisados, apenas 4 previam a prova de títulos como parte do certame. E mesmo assim, se observarmos bem, apenas o ISS/Cuiabá trazia uma pontuação de títulos relevante. A pontuação de 1 diploma de pós-graduação era equivalente a 3 questões de tributário.

Note que no ICMS/PI, a pontuação trazida pelo título de uma pós-graduação é equivalente 1/4 de uma questão de Direito Tributário. Ou seja, em vez de “perder” aqueles 12/18 meses de estudo na pós, se você estudasse mais tributário, bastaria acertar 1 questão a mais para levar a pontuação relativa a 4 diplomas de pós-graduação. Já no ISS/Teresina, seriam 2 diplomas de pós-graduação. Incrível né?!

Na área de controle, dos 13 analisados, também só 4 previam a prova de títulos. Neste caso, fica claro que, em nenhum destes, o título fazia diferença no certame. O que mais contou foi no concurso para CGE/MT. Nele, 1 diploma de pós-graduação valia menos que 1 questão de Auditoria Governamental.

Na área policial, foram analisados os últimos concursos da PF e PRF. Somente no último para Agente da PRF (2013) tivemos a previsão de prova de títulos. E mesmo assim, o título não fazia diferença no certame, pois 1 questão que você acertasse a mais em qualquer matéria valia mais que 1 diploma de pós-graduação.

Na área de tribunais judiciários, os editais dos cargos mais tradicionais: Analista Judiciário – Área Judiciária (AJAJ), Analista Judiciário – Área Administrativa (AJAA) e Técnico Judiciário – Área Administrativa (TJAA), tanto da esfera federal (TRF, TRT e TRE), quanto da estadual (TJ) não trazem tal previsão, em regra.

Em relação à área legislativa, para concluir, as provas de títulos só são previstas para especialidades específicas (Engenheiro, Médico, Arquiteto, Jornalista). Nas especialidades gerais (Processo Legislativo), bem como na Área Administrativa, não costuma ter.

Baseado em todo o exposto, indico fortemente a quem deseja se especializar em alguma matéria de maior predileção, que o faça após ser aprovado, após resolver sua vida. Talvez até o ente federado tenha um programa de especialização para os servidores e pague essa especialização, como é o caso do Município do Rio de Janeiro.

Entretanto, caso esteja quase concluindo sua especialização, não faz muito sentido largá-la no fim do caminho. Termine-a e siga em frente na sua preparação para o concurso que almeja.

Bom, espero ter ajudado! Leia também meu artigo com 2 dicas simples de como não perder tempo nos estudos (https://goo.gl/QZaRxH).

Se tiver algum assunto que gostaria de ver por aqui, pode me mandar um e-mail (eduardoframbach@lsconcursos.com.br) que responderei com o maior prazer.

Clique a seguir e siga-me no Instagram: