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CONCURSO PÚBLICO X ZONA DE CONFORTO: COMO SAIR DA ARMADILHA?

20/07/2016 - LS Concursos

COMO IDENTIFICAR OS FATORES QUE O PRENDEM À SUA ZONA DE CONFORTO, E CONTORNÁ-LOS PARA ATINGIR SEUS OBJETIVOS.

“Não há crescimento fora da zona de conforto.” A frase parece muito simples, ninguém pode discordar desta afirmação. Todo crescimento exige esforço, dedicação, coragem. Crescer é um processo, não é algo que acontece da noite para o dia. Qualquer conquista relevante passa por etapas anteriores que ninguém deseja vivenciar voluntariamente.

Estudar centenas de horas, decorar textos e fórmulas, e resolver milhares de questões para conquistar uma vaga no serviço público. Treinar horas a fio, sentir dores constantes e alimentar-se de maneira rigidamente controlada para vencer uma competição esportiva. Trabalhar com afinco de domingo a domingo, abrir mão do lazer e da vida pessoal para abrir um negócio e ter sucesso. Em qualquer seara, para chegar lá é necessário sair da zona de conforto e aventurar-se em etapas muito difíceis.

Todos sabemos dessa realidade, e quase todos desejamos ser bem-sucedidos. Mas então por que são poucas as pessoas que têm coragem de abandonar o conforto e buscar seus objetivos? Se olharmos à nossa volta, para as pessoas próximas, veremos claramente essa realidade. Na verdade, a maioria de nós faz exatamente o contrário. Buscamos a zona de conforto o tempo todo, em qualquer esfera de nossas vidas, de uma forma intuitiva.

Concurso público x Zona de Conforto

Uma das razões para isso é que somos biologicamente programados para sermos preguiçosos. Um estudo de 2015 identificou, no ser humano, a tendência ao menor esforço. Uma das possíveis explicações é o fato de que a evolução privilegia o indivíduo mais adaptado. Nessa linha de raciocínio, nos tempos mais remotos da humanidade, de suprimentos escassos e muitas ameaças, levaria vantagem aquele que só fizesse o suficiente para se alimentar. Após isso, o mais vantajoso seria voltar para a caverna e descansar, poupando energia e evitando os perigos. Os indivíduos mais propensos a isso viveriam mais e teriam mais chance de se reproduzir, levando esses genes à frente.

Outra razão significativa é que o ser humano lida muito melhor com a necessidade de abrir mão de um possível ganho do que a de perder alguma coisa. Várias pesquisas demonstram essa tendência de avaliar uma perda como algo muito mais doloroso do que deixar de ganhar algo equivalente. Assim, o tempo todo buscamos nos apegar ao que já conquistamos e defender com unhas e dentes aquela conquista, ainda que para isso seja necessário abrir mão da atraente possibilidade de ganhar algo muito melhor.

Por fim, podemos citar o fato de que somos muito imediatistas. Desde crianças somos treinados para reagir a recompensas imediatas. Tente convencer uma criança a abrir mão de um picolé, hoje, para ganhar dois: um no próximo sábado e outro no domingo. A imensa maioria não vai aceitar negociar dessa forma. Ainda que sejamos um pouco mais racionais que a maior parte das crianças, precisamos admitir que essa tendência geral não depende da idade. Nós não lidamos bem com a variável tempo, e damos importância exagerada ao presente.

Poderíamos tentar buscar mais explicações para a nossa tendência em procurar incessantemente a zona de conforto, mas acredito que essas três são as mais fortes: preguiça, aversão a perdas e imediatismo. É importante ter ciência dessas nossas imperfeições para termos uma chance de identificar quais delas mais se aplicam a nós. Assim, poderemos buscar as formas mais eficientes de sair do nosso conforto.

Colocar isso em prática em prol da sua preparação para concursos públicos é muito mais simples do que parece. Você pode, por exemplo, identificar que não anda cumprindo suas metas por mera preguiça. Se for o caso, tente se convencer de que isso não se justifica mais, já que a sua próxima refeição está garantida e que você não será atacado por um animal selvagem enquanto estiver estudando. Para que, então, poupar tanto a sua energia?

Outro exemplo: você tem um emprego que não lhe satisfaz, e tem a possibilidade de largar tudo por um tempo e estudar. Porém, fica apegado a essa situação. Tente verificar se não está superavaliando o que tem a perder e subavaliando suas chances de conquistar um cargo que pague 3 a 4 vezes o que você ganha atualmente. Sendo um ser humano, há grandes chances de sua aversão à perda ser muito forte, impedindo que você faça uma avaliação correta de risco-retorno.

Talvez você seja do tipo que só reage a editais publicados, tentando correr atrás do tempo perdido, enquanto os que se prepararam com antecedência já estão quilômetros à sua frente. Só consegue estudar a sério quando há uma possibilidade de recompensa imediata, visível. Identifique a sua tendência imediatista e tente ser mais racional do que a criança que recusa dois picolés no futuro para ganhar apenas um no presente. Perceber essa tendência e conseguir contorná-la vai fazer você manter a motivação mesmo sem nenhum edital à vista. Quando aquele tão sonhado edital for publicado, você será um dos felizardos que só terá de massificar exercícios e fazer revisões.

Resumindo: o mundo está repleto de oportunidades para aqueles que se dispõem a pagar o preço. Mas sair da zona de conforto é um desafio enorme, pois contraria certas tendências naturais, que todo ser humano tem. Identificar quais delas atuam mais fortemente em você pode ajudá-lo a destravar o seu desempenho.

Bons estudos!

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